A DESPEDIDA

Foto 1

TEXTO BY CAMILA CORREIA

Aquele corpo moreno, suado, macio
Despido de timidez, invade meu mundo
Seu cheiro me transporta pelas vielas da sedução
Afronto meu medo e entrego-me!

Seus braços envolvem-me com teu suor
Suas mãos desafiam as curvas do meu corpo
Sua boca desbrava sensações
Seu coração pulsa intenso.

O prazer aquece os corpos
Que desnudos, entregam-se ao desconhecido
A música de fundo determina o ritmo
De intenso a sereno, sem interrupções.

Seus olhos brilham na penumbra daquele lugar
O ritmo intenso dá espaço aos carinhos
Aquele beijo ficará, para sempre, na memória; e
No coração, apenas a lembrança…

CAMILA CORREIA
15/01/2018

>SOBRE A AUTORA
Formada em Direito, apenas bacharel, pois advogar não está em seus planos. Uma sonhadora convicta, apaixonada pela vida e uma amiga fiel. Um diamante bruto na essência e feliz por excelência.
autora-camila-correia

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PRIMITIVOS

SDB08012018

TEXTO BY VALERIA RAMOS

Antigamente não precisávamos de um papel, um contrato, um juiz para que o homem cumprisse com a sua palavra. O mundo diz que evoluímos, mas evoluímos para onde? Evoluímos para quem? Sem um pedaço de papel, não tem acordo “legal”. O povo não honra mais com o prometido, ser desonesto está na moda!

O canalha acha que é favorável ser desonesto, o mundo está enlouquecendo e ninguém está percebendo, enquanto isso, eu vou enlouquecendo, você vai enlouquecendo aos poucos também. Deitar no travesseiro quando se comprou com um dinheiro que não lhe pertence virou rotina, imagina deitar enquanto cresce em cima do sangue do outro? É banal. Está tudo banalizado demais, tudo muito sujo!

Está na moda político bandido. Em um mundo onde o seu amigo é o seu pior inimigo, o que lhe resta? A esperança que temos são nossas crianças. Mas será que elas vão sobreviver no meio de tanta sujeira? São seres tão limpos. Com um mundo de olhos bem abertos, observando e tentando descobrir o preço do travesseiro, são crianças, somos crianças, crianças com esperança no futuro!

VALERIA RAMOS
08/01/2018

>SOBRE A AUTORA
Sou tantas coisas. Já fui pouco, já fui muito e já soube até encontrar o equilíbrio. Hoje sou a mãe do Eric, um menino lindo de pernas compridas. Sou apaixonada pela vida, já fiz teatro,  já fiz dança, já fiz cinema,  já cursei enfermagem. Tranquei assim que começou o estágio,  definitivamente aquilo não era pra mim,  acho lindo quem consegue,  mas não consigo olhar a dor do outro sem que ela me torture um pouco. Isso é um pouco do tudo e nada que já fui e sou!! Não sei ser meio termo, ou é quente ou é frio,  gosto assim!  Sou assim!!
autora-valeria-ramos

ACABOU…

SDB01012018

TEXTO BY ANGELA OLIVEIRA

Eu queria dizer adeus. Mas não um adeus mixuruca, de canto de boca. Queria abrir os braços e gritar adeeeeeeeus!  Para colocar um ponto final e virar a página, zerar.

Dizer que tudo valeu a pena, tudo mesmo. O tempo que passamos juntos foi intenso. E sabe aquela história: Se pudesse voltar? Faria o mesmo? Sim!!!! Pois, neste momento sou o que sou, sinto o que sinto, vejo o que vejo em razão de tudo quanto foi dito, vivido, enfrentado, calado, conquistado, superado…

A vida segue, ela sempre segue. Mas acabou! Digo isso com todo respeito, até mesmo com gratidão. E isso é bom, é salutar, precisamos de pausas, de encerramentos e a partir de então buscar uma nova perspectiva, fazer uma releitura, pensar nas oportunidades perdidas, no que foi conquistado, rever nossas atitudes, reestruturar-se, trocar algumas fichas, olhar para o novo sem medo do desconhecido e aproveitar para descartar o que já não faz bem (material e imaterial), reelaborar e seguir!!!!

Não é fácil dizer adeus, a gente se apega e fica com medo de lidar com o novo que se aproxima, mas é inevitável quando o relógio marcar zero hora, o calendário vai virar e será 2018, não haverá um portal mágico a ser ultrapassado, certamente depois da pausa para respirar a rotina se apropriará do nosso cotidiano, mas convenhamos, somos “o sócio majoritário de nossas vidas” (como diz Karnal), então será nossa responsabilidade decidir como viveremos os próximos 365 dias.

Acabou. Adeus 2017 e que venha 2018.

ANGELA OLIVEIRA
01/01/2018

>SOBRE A AUTORA
Tenho duas graduações, três pós, um mestrado, mas nada disso me define. O que me define mesmo é a minha gargalhada, dizem que posso ser reconhecida quando alguém ouve… Gosto disso, de ser lembrada pela alegria. No mais, sou tranquila, do bem, da paz, procurando sempre melhorar a lida com a vida, comigo mesmo, com as circunstâncias que me emparedam, tudo isso pra evoluir, do contrário  tudo seria em vão.
AUTORA ANGELA OLIVEIRA

O ATEU E O NATAL

SDB25122017

Quase todos os dias quando acordava, a primeira visão era a daquele quadro grande na parede. Um homem de cabelos grandes, com cara de sofrimento olhando para o alto. Na sua testa uma coroa de espinhos fazia o mesmo sangrar. O sangue lhe escorria pelo rosto. Rafael tinha apenas sete anos e não entendia direito o significado daquilo, sabia apenas que parecia ser alguém importante, pela deferência que sua Tia fazia pelo menos duas vezes ao dia ao passar pela imagem pendurada na parede. Na cabeça do garoto não fazia muito sentido o porquê aquele homem não desencravava da cabeça aquela coroa. Porque não lutava contra os que lhe fizeram aquilo?!

O garoto cresceu circulando pelas quadras e super quadras de Brasília-DF. O descortinar que desvendava a lenda que cercava a figura do quadro veio com o passar dos anos. Era o símbolo maior do cristianismo. Certo dia vislumbrou o mesmo quadro encostado no chão, por trás do botijão de gás. Já meio desgastado pelo tempo a figura nele parecia se descolar da madeira. Não resistiu a curiosidade, foi quando percebeu que outra figura aparecia por trás. Era a de um senhor de cabelos já grisalhos que soltava um sorriso meio tímido. Só depois de insistir um tanto ficou sabendo que se tratava do seu pai, que matara sua mãe e em seguida cometera suicídio quando Rafael ainda tinha apenas dois anos de idade.

Foi impossível não traçar um paralelo de toda aquela história trágica de seus pais com a do cristianismo. Rafael, já com 18 anos, se tornará um ateu convicto. A base histórica do cristo era frágil e lhe parecia claro ser o catolicismo e o protestantismo no Brasil uma muleta para um povo pouco aculturado. Era uma convicção racionalista, não existia paixão nas suas convicções, afinal, como ele mesmo costumava repetir: “Só quem precisa de paixão para defender o que acredita é quem não tem ao seu lado a lógica cartesiana”.

Rafael morreu aos 23 anos, atropelado nos arredores da esplanada dos ministérios por um playboy embriagado. Nem uma queixa do caso foi prestada, pois antes que a Tia o fizesse, um homem adentrou sua casa com uma mala de dinheiro, dizendo se tratar de uma justa indenização pela dor que ela passava com a perda do sobrinho, mas que uma das condições para a entrega do dinheiro era a de que o assunto fosse tratado apenas como um infeliz acidente. A velha Tia, que nem nutria tanto sentimento pelo sobrinho, viu aquilo como uma espécie de recompensa para os anos de gastos que teve com o menino que não havia parido. Ironicamente, Rafael morreu numa noite de Natal, bem próximo da hora em que se comemora o nascimento no menino Jesus.

TADEU CASTRO
25/12/2017

>SOBRE O AUTOR
Um cara sem diplomas na parede (trancou o curso de jornalismo no segundo ano, ainda no século passado, por sentir uma certa claustrofobia no universo acadêmico). Não é, e nem pretende ser, especialista em coisa alguma (ser um especialista o limitaria). Trata-se apenas de um bom observador, nada mais do que isso, pois isso lhe basta e o faz um ser livre, seja no olhar, no pensar e no viver.
FOTO DO AUTOR

NÃO GOSTO DO NATAL

SDB21122017

TEXTO BY NÁDIA DIAS

Hoje fui, muito a contragosto meu, ao centro da cidade… fui por uma necessidade urgente, de modo rápido e sem prazer nenhum. Além do calor infernal, o contraste social me deixa triste…. e olhe que é comércio popular, não é shopping, é loja de porta pra rua. Pedintes as dezenas, a maioria crianças, nesta época, mais que nas outras estendem as mãos.

São uma massa inglória, tentando consumir o que, por direito natural, deveriam, poderiam. Não sendo cegos, nem destituídos de inteligência comum esses meninos. Destituídos de infância, veem sobrar nas lojas objetos dos seus desejos, o brilho das árvores de natal, dos enfeites… enchem os olhos dos objetos que suas pequenas vidas, imersas em violência, necessidades várias e caos, não tem.

Eu não gosto do natal, esse comércio desenfreado, esse consumo abjeto, que nada tem a ver com o Cristo e com sua mensagem de simplicidade. Dificilmente o homem que disse que “as raposas tem suas tocas, as aves do céu tem seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça” (Mateus 8,20) compactuaria com os excessos natalinos, que também aos assalariados deixa grandes prejuízos.

Não, eu não gosto do natal, por isso fico triste nessa época, com uma imensa sensação de impotência e vergonha, por não poder fazer quase nada. Mas, eu sou só uma… certamente também outros fazem um pouco, sobretudo aqueles que não creem na falsa premissa de que são os “eleitos de Deus” e que estão irremediavelmente “salvos”, não pelas obras de caridade, mas porque “Cristo falou” pela boca de alguém.

Tenho esperança. Mesmo que o mundo material acabe (não boto fé nisso não), ainda haverão as almas dos que adquiriram consciência e que cumprem o que o bom senso revela como ético: fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito.

NÁDIA DIAS
21/12/2017

>SOBRE A AUTORA
Pedagoga, que veio ao mundo aprender com a vida. Que viu e vê tudo o que é possível, que elege o conhecimento como o objetivo de viver. Essa pessoa que se diverte.
AUTORA NADIA DIAS

CRÔNICA DE UM FIM DE SEMANA EM QUE TUDO GIRAVA!

SDB18122017

A sexta feira…
A turma estava animada, o whisky era dos bons.
Mas os cálices de vinho também rodavam.
Aí chega um ponto que o exagero faz cogitarmos visitar o pai, um breve delírio que vira debate sem conclusão, como era de se esperar.
E minha cabeça que não parava de girar!

O sábado…
Logo cedo amanheceu animado, mas alguém tinha hora marcada e tudo adormeceu de novo!
O dia amanheceu novamente às duas da tarde, foi meio assustador, confesso.
Ver Charlie Kaufman se auto-roteirizar me fez sentir por ele uma tremenda identificação.
Dessa vez a vodka era barata.
Minha cabeça continuava girando!

O domingo…
Moribundo e decadente eu continuava tentando buscar o sentido das horas.
Li um pouco de Michel Houellebecq, sempre me inspira o pulso quase morto dele.
Mais tarde fui cuspido da cabeça de John Malkovich algumas vezes!
Já era tarde e ela cogitou me visitar… Mas não veio, eu não deixei.
E a minha maldita cabeça que não para de girar!

TADEU CASTRO
18/12/2017

>SOBRE O AUTOR
Um cara sem diplomas na parede (trancou o curso de jornalismo no segundo ano, ainda no século passado, por sentir uma certa claustrofobia no universo acadêmico). Não é, e nem pretende ser, especialista em coisa alguma (ser um especialista o limitaria). Trata-se apenas de um bom observador, nada mais do que isso, pois isso lhe basta e o faz um ser livre, seja no olhar, no pensar e no viver.
FOTO DO AUTOR

PELE MORENA

SDB11122017

TEXTO BY HEART’S HUNTER [GHOST WRITER]

E lá estava ele, tirando cada parte daquele uniforme, provocando sensações indescritíveis. Ela só observava com seus olhos cerrados de tesão, aquela camisa branca colada no corpo fazia os músculos daquele braço moreno bronzeado explodirem. Ah! Ele tem uma pele macia, firme, perfumada. Um rapaz viril, um autêntico “macho” na forma de um doce rapaz. Isso a deixava ainda mais cheia de tesão. Sim! Ela o deseja, ela o provoca, ela vai devorá-lo antes mesmo de tê-lo.

Era uma tarde ensolarada e aquele encontro aproximou mais os dois, animado e com um sorriso no rosto, aquela boca ficava ainda mais atraente. Seus olhos firmes e cheios de tesão, seguem aquele corpo moreno de box branca, desnudo. Ele a convida para dançar, corpos colados, suados, ela desliza as unhas levemente pelas costas dele, despretensiosamente. Aquela pele morena responde toda arrepiada e ele, no ouvido dela, pergunta: – Isso é um convite? Porque se for, eu aceito!

Ali não tinha espaço, então na desculpa de irem buscar mais bebidas, saem os dois no mesmo carro, no caminho ele toca levemente a perna dela, subindo bem devagar e encontra um espaço quente e completamente úmido. De pronto, ela abre as pernas e começa a orientar aquela mão firme para entre suas pernas. Em movimentos circulares e intensos ele a faz gozar, aquele seria o primeiro de muitos, pois, quando o carro para, num terreno ermo e seguro, ele baixa a sunga e ela cai de boca, lambendo cada pedacinho daquele paraíso.

– Parece que o tempo parou! – Afirma aquele jovem dócil, enquanto ela suga todo aquele gozo. Ainda meio desajeitado, ele pede desculpas e com ar de quem quer mais, ela começa roçando suas pernas nas pernas dele, movendo o quadril com idas e vindas, ela o provoca e assim retomam aquele sexo gostoso, quando ela senta em seu colo, rebolando seus seios na cara dele e cravando as unhas naquela pele lisinha, ele dá um sorriso safado e diz: – Pronta para outra? Com um olhar sacana, ela responde que sim.

Aquele moreno intensificava o instinto de caça e poder dela. Era desejo, tesão, poder, dominação. Ela queria tê-lo e, embora não tivesse coragem de dizer que seria apenas aquela noite, ela invade o espaço psicológico dele, sugerindo cordialidade e de forma angelical, diz: Não quero seu amor por um momento…

HEART’S HUNTER [GHOST WRITER]
11/12/2017

> SOBRE A AUTORA
Uma autora intensa, sem pudor, sem regras, sem leis…
Cuidado! Ela pode perturbar a sua mente, usar seu corpo e destruir seu coração! Não duvide disso!
AUTORA HEART_S HUNTER

TENHA MEDO!

SDB04122017

TEXTO BY VALERIA RAMOS

Ter medo é necessário, ele só não pode ser tudo que existe em você. Antes do medo é preciso existir um turbilhão de coisas dentro de você, mas para você chegar onde quer, para você ser amanhã quem você queria ser hoje, é necessário ter medo. Crescemos escutando o mundo falando: “Não tenha medo, não se vença pelo medo”, mas é preciso existir o medo para você vencer.

É preciso ter medo, seja da vida ou da morte, para que a vida continue. Entenda, não estou falando de falta de coragem, eu falo de medo, o medo te prepara, o medo te faz crescer, te faz caminhar, um homem sem medo, perdeu tudo, perdeu a vida, o amor, perdeu o que motiva, o ser humano precisa ter medo para que fique forte, é preciso ter medo de perder um amor para valorizar o mesmo, hoje, é preciso ter medo de errar, para ter como se preparar para o acerto.

O medo é importante, é o medo que nos movimenta, é normal ter medo, tenha medo, você pode e deve ter medo, ele só não pode ser maior que a sua coragem. Tenha medo, tenha medo de tudo! O único medo que as vezes não precisa existir é o medo de amar, os amantes sabem disso, eles amam como se fosse o último dia de vida, mas, ainda assim, eles continuam com medo!

VALERIA RAMOS
04/12/2017

>SOBRE A AUTORA
Sou tantas coisas. Já fui pouco, já fui muito e já soube até encontrar o equilíbrio. Hoje sou a mãe do Eric, um menino lindo de pernas compridas. Sou apaixonada pela vida, já fiz teatro,  já fiz dança, já fiz cinema,  já cursei enfermagem. Tranquei assim que começou o estágio,  definitivamente aquilo não era pra mim,  acho lindo quem consegue,  mas não consigo olhar a dor do outro sem que ela me torture um pouco. Isso é um pouco do tudo e nada que já fui e sou!! Não sei ser meio termo, ou é quente ou é frio,  gosto assim!  Sou assim!!
autora-valeria-ramos

AUSÊNCIA

SDB27112017

TEXTO BY ANGELA OLIVEIRA

Não se pode evitar,
Quando menos se espera
O pensamento entrega-se a devaneios…
E quando se recompõe traz a ausência, a saudade, a vontade!
Vem à tona,
Ora teu sorriso,
Ora tua seriedade,
Ora teu silêncio…
Queria ouvir tua voz,
Queria me ver nos teus olhos,
Queria tua presença!!!!

ANGELA OLIVEIRA
27/11/2017

>SOBRE A AUTORA
Tenho duas graduações, três pós, um mestrado, mas nada disso me define. O que me define mesmo é a minha gargalhada, dizem que posso ser reconhecida quando alguém ouve… Gosto disso, de ser lembrada pela alegria. No mais, sou tranquila, do bem, da paz, procurando sempre melhorar a lida com a vida, comigo mesmo, com as circunstâncias que me emparedam, tudo isso pra evoluir, do contrário  tudo seria em vão.
AUTORA ANGELA OLIVEIRA

O FALSO ESTEREÓTIPO DE UM AMANTE

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Antes de tudo, quero deixar claro que acho essa coisa de “todo homem é assim mesmo” ou “toda mulher é igual”, um tremendo de um equívoco. Os indivíduos são únicos, uma obviedade que parece precisar ser repetida, nesses nossos tempos em que obviedades precisam ser repetidas. Outra coisa que quero deixar claro é a de que não comungo dessa ideia de que a traição é culpa do comportamento relapso do traído. Para mim, sempre que existe uma traição a culpa é de quem comete o ato, afinal, todos temos escolhas, por mais que alguns insistam que não.

Tenho observado nos últimos anos, salvo em raríssimas exceções, o quão infeliz andam as pessoas com seus casamentos. Basta ser um pouco mais observador para perceber que muitos dos enlaces matrimoniais são aquilo que se convencionou chamarmos “algo de fachada”, aquela relação que já morreu, mas que ainda mantém unidas duas pessoas que são quase estranhos morando sob o mesmo teto. Os dois lados, mesmo que infelizes, se sentem obrigados a continuarem juntos por uma série de fatores externos, as ditas convenções sociais: Família, filhos, dinheiro ou mesmo conveniências práticas do dia a dia.

É aí que entra  a figura do amante. E não estou falando daquele “deslize” numa festa, depois de algumas doses a mais, falo dos amantes por quem as mulheres se apaixonam de verdade. Aquela relação paralela que se arrasta, muitas vezes por anos, quase que como um anexo do casamento oficial. O estereótipo que habita a mente das pessoas em relação a esse amante, via de regra, é o de um musculoso personal trainer ou de um charmoso empresário de meia idade, mas essa visão anda cada vez mais furada. A vida real geralmente foge completamente desses parâmetros.

Muitas das vezes, aquele que “passa a perna” no poderoso provedor do lar é uma figura improvável. Aquele contador baixinho e careca que mora num prediozinho antigo (parafraseando o grande Xico Sá) do centro da cidade. Aquela figura de vida regrada, sem grandes emoções, vista pelos vizinhos como o perdedor da área. Pois é, o “macho alfa” nem imagina que sua bela mulher, aquela que cuida do lar, encontra um aconchego semanal nos braços de um homem de poucos músculos, que está muito longe de formar um império patrimonial e anda num Ford ka 2005 caindo aos pedaços.

Mas o que diabos faz essa mulher optar por uma escolha tão fora dos padrões mais atrativos?! Bem, é mais simples do que parece. A mulher, depois dos trinta, gosta mesmo é de atenção e carinho, gosta daquela companhia que se interessa pelo que ela pensa, pelo que ela sente, pelo que ela tem a dizer. Gosta de ser cortejada pelo homem que já a conquistou e que ainda assim, não abre mão do gesto. Quer alguém que se interesse em satisfazer seus desejos sexuais, alguém que lhe trate de igual para igual, com respeito e admiração. Coisas simples que o maridão invejado pelas suas amigas, que anda de peito estufado no carro do ano, não dá a menor importância. Paga ele então o preço mais caro que poderia imaginar, tem os porões do seu reino (onde se considera o todo poderoso), habitado por alguém que quando cruza seu caminho nas ruas da cidade, lhe passa como um ser invisível de tão insignificante.

TADEU CASTRO
20/11/2017

>SOBRE O AUTOR
Um cara sem diplomas na parede (trancou o curso de jornalismo no segundo ano, ainda no século passado, por sentir uma certa claustrofobia no universo acadêmico). Não é, e nem pretende ser, especialista em coisa alguma (ser um especialista o limitaria). Trata-se apenas de um bom observador, nada mais do que isso, pois isso lhe basta e o faz um ser livre, seja no olhar, no pensar e no viver.
FOTO DO AUTOR