EU NÃO SOU A MULHER MARAVILHA

SDB14082017
TEXTO BY VALERIA RAMOS

Não dou conta de tudo.
A resposta é simples, pode parecer estranho, mas é a verdade nua e crua. Eu não dou. Sou humana.
Seleciono prioridades, foco no que dá.
Se hoje ele foi dormir sem escovar os dentes, amanhã isso será prioridade.
Se hoje o jantar foi batata frita, amanhã vai ter uma sopinha de legumes.

Minha sala nunca fica vazia.
Nunca. A casa pode ser limpa amanhã.
A louça não vai correr, pode esperar!! A louça nunca corre, ela se multiplica, mas nunca saiu correndo ou foi limpa sozinha!!
Tem dias que brigo com o mundo, grito com o meu filho, grito e acabo desabando em choro, me sinto a mais desequilibrada das mulheres, espero pelo dia seguinte. Mas há manhãs em que acordo cheia de amor próprio. Me vejo na família mais perfeita do mundo. Ignoro a bagunça, tem dias que eu consigo marcar a manicure, mesmo com a cria do lado, eu consigo, então me sinto a mulher Maravilha!! Algumas vezes, eu consigo acordar cedo, e o impossível as vezes acontece, são vinte e duas horas, a casa tá limpa, estou de banho tomado e eu passei quase dez minutos no banho!!

As vezes me vem uma força e coragem que não é coisa desse mundo, depois de ser mãe, nada é desse mundo, nem o amor, nem o desespero, muito menos a coragem!! Lá vou eu disposta a colocar tudo em dia. E não é que eu quase consigo? Se não fosse pelo quase…
E é assim. Frustrante, alegre, desesperador, muito, muito frustrante, a verdade é que agora eu não sou mais a Mulher Maravilha… Amanhã eu vou voltar a chorar, no final do dia, quando ele estiver dormindo, vou perceber que devia ser uma mãe melhor…

Não se deixe enganar, por trás desse menino feliz, tem uma mãe desesperada, tem só um humano… Por trás destas imagens, existe uma mãe comum. De carne, osso, querendo emagrecer no mínimo 6 kg, e jurando que amanhã não irá esquecer de nada.
Com dias bons pra caramba, no estilo: “A vida é bela, poderia ter sete filhos, viver numa casinha de sapê, e ser feliz para sempre!” E com dias de “Quem sou? Onde estou? Quem são estas pessoas?!”

Eu queria ter outro filho, me sinto culpada por não ter dado um irmão ou irmã ainda pra ele, tenho medo do futuro, tenho medo do presente, tenho medo de surtar, até tenho medo da velocidade que o tempo passa e ele ta crescendo, eu não sou a Mulher Maravilha, não sou a mãe perfeita, mas sabe o que me encoraja e mais um dia me faz ser a mãe Maravilha?? Pra ele eu sou perfeita, no mundo dele eu sou a princesa mais linda do mundo, ele é tudo que eu preciso, pra não surtar no meio de tantos brinquedos pela casa, ele é o meu ponto de equilíbrio!! E eu, sou só uma mãe com o peito explodindo de amor!!

VALERIA RAMOS
14/08/2017

*Adaptação livre do texto original de Rafaela Carvalho

>SOBRE A AUTORA
Sou tantas coisas. Já fui pouco, já fui muito e já soube até encontrar o equilíbrio. Hoje sou a mãe do Eric, um menino lindo de pernas compridas. Sou apaixonada pela vida, já fiz teatro,  já fiz dança, já fiz cinema,  já cursei enfermagem. Tranquei assim que começou o estágio,  definitivamente aquilo não era pra mim,  acho lindo quem consegue,  mas não consigo olhar a dor do outro sem que ela me torture um pouco. Isso é um pouco do tudo e nada que já fui e sou!! Não sei ser meio termo, ou é quente ou é frio,  gosto assim!  Sou assim!!
autora-valeria-ramos

AUSÊNCIA DE HUMANOS

SDB07082017

TEXTO BY ANGELA OLIVEIRA

Sou de um tempo no qual as pessoas viam-se, percebiam-se, conversavam  umas com as outras e (detalhe) pessoalmente correndo até o risco de ser surpreendidas por algum perdigoto que insistisse em saltar da boca do interlocutor. Situação cada vez mais rara!!! ( a conversa).

Há um tempo quando as pessoas (os tais humanos) entravam em um espaço público onde houvesse sala de espera, elas se cumprimentavam, mesmo que de forma protocolar, mas já se quebrava o gelo, havia a troca de olhares, havia também aquele lugarzinho com revistas e jornais surrados para ajudar a passar o tempo e quem sabe com sorte, surgia uma conversa boba entre os presentes. Era o que se costumava chamar de interação. Isso atualmente foi substituído por uma plaquinha num lugar bem visível indicando o wi-fi para que não seja preciso nem perguntar.

Levei o carro para revisão, entrei na sala disse: Boa tarde!!! As pessoas mal responderam. Cada uma vidrada nos seus centímetros quadrados de ciberespaço, induzidos pela bendita placa do wi-fi. Cometi um pecado, não levei meu livro, grande companheiro para essas horas. A única saída foi assistir a TV com a sua programação insossa e nada estimulante.

De repente entra um Senhor que foi buscar uma encomenda. Ele vendia artesanato e estava com alguns produtos. Sentou ao meu lado puxou conversa (não se intimidou pelos celulares), rimos bastante, falamos sobre a vida, sobre a batalha diária, o clima (chovia naquela tarde), a situação do país… Acabei até comprando um de seus objetos. Ele foi embora, novamente o silêncio ensurdecedor. Ainda bem que meu carro ficou pronto logo em seguida. 

Percebi que sinto falta dos humanos. Onde eles estão?!!! Pare e repare ao seu redor e quando encontrar um humano que conversa, aproveita a oportunidade, interaja, eles estão em extinção!!!!!

ANGELA OLIVEIRA
07/08/2017

>SOBRE A AUTORA
Tenho duas graduações, três pós, um mestrado, mas nada disso me define. O que me define mesmo é a minha gargalhada, dizem que posso ser reconhecida quando alguém ouve… Gosto disso, de ser lembrada pela alegria. No mais, sou tranquila, do bem, da paz, procurando sempre melhorar a lida com a vida, comigo mesmo, com as circunstâncias que me emparedam, tudo isso pra evoluir, do contrário  tudo seria em vão.
AUTORA ANGELA OLIVEIRA

A MALA QUE CARREGAMOS

SDB31072017
TEXTO BY AMANDA BARBOSA

Somos o reflexo do que trazemos. Podemos ser mala vazia ou estufada, depende do que iremos colocar: leveza ou sobrepeso. Recentemente fui olhar o que havia na minha bagagem. Ainda estavam lá aqueles valores morais hoje quase obsoletos, somados a uma infinidade de qualidades e defeitos que ao longo do tempo foram moldando-se a mim.

Segui exemplos de pessoas que deram certo, optei por não ser igual algumas almas sebosas que infelizmente passaram por meu destino. Chamou-me atenção um espelho. Minha avó, senhora sábia, in memoriam, sempre dizia-me: “Carregue-o com você, para lembrar-se de onde veio, quem és e o que queres ver refletido.” Hoje sei que a mulher vista nele é exatamente aquilo que sou hoje, com uma bagagem boa, minuciosamente escolhida e lapidada ao longo do tempo.
 
Minha mala é enorme, alguns ainda enxergam o externo, outros; aqueles que caminharam comigo, vêem além. E assim vou seguindo. Jogando os pesos desnecessários, acrescendo experiências ricas. Minha mala é minha essência. Meu eu, carregado junto a mim, para mim. E não sou eu quem a carrego… Minha personalidade forte, meu gênio de bicho, minha fala direta sem meias palavras… São eles quem a levam por essa estrada afora. Por serem tão grandes, não cabem na minha mala pessoal, vão adiante, simplesmente carregam-na.

AMANDA BARBOSA
31/07/2017

>SOBRE A AUTORA
Mãe de dois príncipes, formada em Química-Licenciatura pela UFAL, casada, funcionária pública, evangélica, filha de Jane (mãe que amo imensuravelmente)… rótulos adquiridos.
“Quem muito rotula-se, limita-se à eles.”
Deixo-me ser aquilo que você consegue enxergar em mim, embora nem sempre seja o meu melhor.
amanda-perfil

MESA DE BAR

SDB24072017
TEXTO BY CAMILA CORREIA

Era uma tarde chuvosa, um encontro inesperado de amigas.
– Uma mesa para quatro, por favor.
Uma delas pede, gentilmente, ao dono do bar, que vem com um sorriso largo recebe-las. Quando quatro mulheres sorridentes entram num bar, todos os olhos se viram para elas, nunca entendi porque isso chama atenção. Já na mesa, eis que surge um moreno, olhos claros, braços largos e sorriso encantador:
– O que vocês vão tomar?
Pergunta ele, todo solícito e gentil. Lis, a mais comunicativa da turma diz:
– Uma cerveja bem gelada, por favor.

Em mesa de bar é assim, a conversa rola solta com boas risadas para todos os temas. E nas idas e vindas daquele garçom lindo, Ceci, a mais ousada, o devora com os olhos, ele percebe e corresponde aos olhares. Seu sorriso torna-se mais frequente e receptivo. Ele lhe entrega um papel com um número de telefone e diz:
– Foi um admirador que pediu para entregar.
Em seguida vem um senhor muito gentil e informa que ele estaria atendendo a mesa mais simpática do bar.

Ceci resolve ligar para aquele número que lhe foi entregue e para sua surpresa era ele, o garçom, é quando ele diz:
– Venha até a esquina, por favor.
Entre a dúvida e o tesão, ela se levanta discretamente da mesa e vai ao encontro do rapaz. Ela o convida para seu carro e aquele moreno escultural estava lá sem camisa e entre beijos e abraços apertados, ele começa a beijar todo o corpo dela delicadamente. Em explosões de orgasmos, num momento intenso de puro tesão, eles ficam ali por alguns minutos totalmente entregues ao prazer.

Ela volta para a mesa, como se nada tivesse acontecido, seu coração ainda no ritmo daquele momento e seu sorriso largo estampado no rosto revelava a euforia. Embora suas amigas insistissem questionando onde ela tinha ido, guardou consigo aqueles momentos, apenas respondeu às perguntas:
– Eu estava atendendo uma ligação!

“Mesa de bar é onde se toma um porre de liberdade…” (Mesa de bar – Haroldo Barbosa)

Música: De autoria de Haroldo Barbosa, cantada neste vídeo por Alcione.

CAMILA CORREIA
24/07/2017

> SOBRE A AUTORA
Formada em Direito, apenas bacharel, pois advogar não está em seus planos. Uma sonhadora convicta, apaixonada pela vida e uma amiga fiel. Um diamante bruto na essência e feliz por excelência.
autora-camila-correia

RESPIRA

SDB17072017

TEXTO BY VALERIA RAMOS

Você pensa que vai trabalhar e então ser grande, que vai ter um emprego e então a vida será sua?? Eu quero que seja assim… Precisa e vai ser assim!! O parto de todo dia é o caminho para que seja assim. Mas se você soubesse o quanto o moço que acorda todo dia as quatro para trabalhar perde da sua vida.

A lógica seria trabalhar e ser dono do mundo, ou pelo menos da sua vida… Mas o tempo de trabalho não deixa a maioria das pessoas viverem a sua vida. Eles fazem de tudo para que você não pense. Para que tranque a faculdade. Acabam com o seu tempo para não sobrar nem mesmo o tempo de uma leitura.

Eles vão querer te dominar, mandar em você, vão dizer que te pagam para isso, mas respirar deveria ser de graça. Você paga, paga por tudo… Ontem queria ser grande e hoje tudo o que quer é voltar a ser um menino!! Já te disse que o tempo não volta?? Pois fique sabendo, ele não volta!! Mas você ainda é um menino e se souber disso hoje, amanhã vai poder respirar sem precisar pagar por isso!!

Agora você sabe, certo?? Então respira e seja feliz, o mundo é gigante e você ainda pode ser quem você quiser. Pode inclusive mudar o mundo do moço que esqueceu o que é ser quem você é hoje!!

VALERIA RAMOS
17/07/2017

>SOBRE A AUTORA
Sou tantas coisas. Já fui pouco, já fui muito e já soube até encontrar o equilíbrio. Hoje sou a mãe do Eric, um menino lindo de pernas compridas. Sou apaixonada pela vida, já fiz teatro,  já fiz dança, já fiz cinema,  já cursei enfermagem. Tranquei assim que começou o estágio,  definitivamente aquilo não era pra mim,  acho lindo quem consegue,  mas não consigo olhar a dor do outro sem que ela me torture um pouco. Isso é um pouco do tudo e nada que já fui e sou!! Não sei ser meio termo, ou é quente ou é frio,  gosto assim!  Sou assim!!
autora-valeria-ramos

 

O QUE PODE SER PIOR QUE A MORTE?

SDB13072017
TEXTO BY HARRY HALLER [GHOST WRITER]

Ultimamente eu admito, estou vivendo uma crise existencial – e eu nem sei se esse termo se aplica a minha pessoa. Porque não sei se eu sou uma pessoa. Sequer sei se existo. Ou se existo apenas na mente doentia desse que me dá voz – ou letras, se quiser levar ao pé da letra. Tá vendo? Que chato. Eu não estou mais me aguentando.

Um fato curioso ocorre com vocês aí que se acham os vivos. Sabe o que? O medo da morte. Gente… e se eu dissesse pra vocês que a morte não tem nada demais? Se eu te dissesse, mais ainda, que o pior já passou? Einh? Einh? Einh? (para dar mais dramaticidade a cena, entenda como se nesse momento eu estivesse te cutucando e expelindo perdigotos em você – sim, pois é, eu tô muito chato. Tão chato que se me perguntarem “como vou” eu sou até capaz de responder honestamente, ao invés do tradicional “tudo bem, tranquilo, de boa”.)

Pois é, o pior já passou. Palavra de quem entende das coisas: Morrer é muito de boa. Exceto pra quem tem a infelicidade de morrer afogado. A sensação de sufocamento é terrível e demora bastante. Tanto que é uma das melhores táticas de tortura – pelo menos na minha época, não era fogo nas bolas e nem torção de mamilos, o que mandava ver mesmo era o balde d’água. Ali o camarada abria o bico e entregava até a mãe, mas enfim, a morte, não sendo por alguma espécie de sufocamento, é muito tranquila. Aquilo que alguns de vocês chamam de passagem é muito suave. A pessoa vai dormir e quando vê, já foi, nem sentiu nada.

Ah, mas pode ser que você diga: e quem morre num incêndio? Queimado? Acredite em mim, num incêndio, quase ninguém morre queimado. As pessoas sempre morrem pela fumaça tóxica produzida pelo ato incendiário. É óbvio que eventualmente encontram-se os corpos das vítimas carbonizados. Mas a carbonização na maioria das vezes foi posterior ao óbito. Sufocou um pouquinho? É. Até que sim. Mas nada que se compare ao afogamento de fato. Nem mesmo a situação de ser asfixiado com um travesseiro é tão devastadora quanto morrer engolindo água. E além do mais, se você não acreditar em mim, vai acreditar em quem?

Imagina que legal, quão bacana, uma queda livre do vigésimo andar? Meu caro, é bateu morreu. É súbita, imediata, limpa. Eu sei que você pode estar imaginando: tá, mas, por que ficou mexendo as perninhas, naquele tremelique? Criança, quando ele atingiu o solo, acho que nem a alma tava mais no corpo. A alma pensou: “Vigésimo andar? Sem paraquedas? Já estou aqui mesmo, vou economizar tempo, até porque, aqui do alto a distância é menor, já estou bem mais perto de Deus” e foi dali mesmo.

Certa vez eu presenciei uma cena bem interessante, pra vocês verem como a morte não carece de medo. Acompanhando um sujeito encarnado, caminhando de madrugada, seu trajeto objetivava a volta pro seu lar, após uma noite de bebedeiras. Numa rua muito mal iluminada, ele seguiu seu trajeto, sentiu uma sensação ligeiramente estranha, deu mais uns cinco passos, não sei se ele percebeu minha presença, olhou para trás. Foi então que observou uma enorme cratera pelo local que havia acabado de passar. Esfregou os olhos, tentou fixar o olhar – mas bêbado, isso é complicado – detectou que havia uma poça de sangue, na quina da cratera. Parte daquele sangue espirrado ia para fora da mesma, parte escorreu pra dentro. Mas não quis olhar, seguiu seu caminho. Minha presença meio que o instigava medo. Nessa hora, que ele olhou pra trás, no reflexo eu me escondi atrás de uma pilastra. E assim ele seguiu seu caminho.

Para encurtar essa história, aquele sangue no chão era dele mesmo. Aquele ali foi o momento exato que ele morreu. Ele só foi se dar conta disso oito meses depois. Quando finalmente conseguiram alugar aquele pequeno apartamento dele e pessoas estranhas começaram aparecer do nada, mudar os móveis, as cores das paredes e consertaram inclusive a descarga. Quando ele começou a conversar com a criança de dois anos, o pessoal daqui teve que intervir, contaram o ocorrido, ele não resistiu, mas até hoje ele ainda não acredita que morreu. Longa história. Eu posso te contar na próxima vez que eu voltar.

Mas aí vem a pergunta inicial: Então o que é pior? O que é pior que a morte? Resposta simples: NASCER. Nascer é muito pior. Para você ter uma ideia, é pior até que morrer afogado. Você deve até ser capaz de imaginar o porquê. Você passa lá mais ou menos 9 meses ali, envolto em sua “bolha”, sem trabalho nenhum, sem contato com nenhum outro humano (exceto em caso de gêmeos), tudo que você tem que fazer é não fazer nada, aí você dá uns chutinhos nas paredes de vez em quando, vira cambalhota, enrola o cordão umbilical no pescoço, coisas normais de quem não tem o que fazer e nem conhece redes sociais. De vez em quando, pode acontecer de vir pelo tubo de alimentação uma cachaça? Pode acontecer. Pode acontecer de vir bastante fumaça de cigarro? Pode acontecer (mas mesmo assim essa fumaça não vai fazer você tossir). Pode acontecer de vir até um pouquinho de crack? É, pode, mas… nada se compara a nascer, a ser tirado de tudo que você entende como mundo, como sua verdade, logo agora que você já estava realmente se acostumando e ser tirado, abruptamente, aquela claridade, aquele mundo novo estranho, o toque das pessoas e…. ahhhhhhh chega. Eu não aguento mais. Mas vai por mim, nascer é que é ruim demais.

Obrigado. Até outro dia – Se eu quiser. (Se eu quiser? Como assim? Quem mandou você escrever isso? Eu quero sim…)

[e… corta]

HARRY HALLER [GHOST WRITER]
13/07/2017

>SOBRE O AUTOR
Eu posso ser qualquer um dos que compõe o elenco do blog ou não ser nenhum deles (o que é o mais provável). Mas posso também lhe assegurar, citando Pessoa, que “eu não sou eu, nem sou o outro, sou qualquer coisa de intermédio…”
autor-harry-haller

ISSO VAI PASSAR!

WhatsApp Image 2017-07-10 at 17.18.18

TEXTO BY ANGELA OLIVEIRA

Áudio da narração da autora do texto

Hoje não me traz alegrias.
É um processo de cura, de reflexão, de ganho por mais estranho que pareça. Gratidão por me mostrar o que não preciso sentir, o que não posso me permitir, o que não me traz alegrias, o que não me faz feliz, o que não me preenche.

Não há que se falar em desculpas ou lamentações. Tudo é exatamente o que precisa ser. Foi o que tinha que ser. É um aprendizado. É um remexer na base que sustenta. É um desequilíbrio que te exige encontrar o prumo.

Hoje não me traz alegrias.
O recolhimento se impõe. É preciso reconstruir a carapaça para depois se mostrar sob outra perspectiva. E haverá um tempo, certamente, que olhar, não para trás, mas para o presente, implicará em perceber que nada mais há.

Haverá um outro marco zero. A imunidade se consubstanciará outra vez. E aí então o olhar, o sorriso, o abraço, o toque voltarão a ser recíprocos, limpos e porque não dizer fecundos de outras histórias.

ANGELA OLIVEIRA
10/07/2017

>SOBRE A AUTORA
Tenho duas graduações, três pós, um mestrado, mas nada disso me define. O que me define mesmo é a minha gargalhada, dizem que posso ser reconhecida quando alguém ouve… Gosto disso, de ser lembrada pela alegria. No mais, sou tranquila, do bem, da paz, procurando sempre melhorar a lida com a vida, comigo mesmo, com as circunstâncias que me emparedam, tudo isso pra evoluir, do contrário  tudo seria em vão.
AUTORA ANGELA OLIVEIRA

HAVERÁ ALGUÉM…

SDB03072017
TEXTO BY AMANDA BARBOSA

Sempre haverá alguém que coloque-te acima dos seus próprios sonhos, que ajude-te na realização deles ou que sonhe junto contigo. Existirá aquele alguém com conselhos fabulosos, dono de sabedoria grande, e aqueles pobres de espírito que em nada acrescenta-nos; os donos de conversas inúteis, mas que far-te-ão rir litros aliviando o estresse diário.

Ainda acharás aqueles que tirarão você de enrascadas grandes, e outros que levarão tua alma pro inferno na primeira oportunidade. Passará por teu caminho amigos verdadeiros e cobras camufladas, amor pra uma vida toda e romances de uma noite só.

Creia, haverá quem ouça-te sem julgar e quem critique-te por pensares e agires diferente deles. Uns verão tuas grandes qualidades, talvez por enxergar sua essência e não só os aspectos físicos. Outros focarão naqueles defeitos que você tanto teima em esconder.

Entre tantos “ALGUÉM”, há de vir aquele para colocar teu interior em ordem. Se ele(a) ficará ou não, dependerá do seu grau de maturidade pessoal. Então, meu conselho: não tente prender, deixe livre para ficar por escolha própria ou seguir outro caminho. Se não for esse(a) será outro(a).

Melhor ter alguém que seja laço, que enfeite adormecido em sua vida, do que ter alguém preso a nó e morra sufocado.

AMANDA BARBOSA
03/07/2017

>SOBRE A AUTORA
Mãe de dois príncipes, formada em Química-Licenciatura pela UFAL, casada, funcionária pública, evangélica, filha de Jane (mãe que amo imensuravelmente)… rótulos adquiridos.
“Quem muito rotula-se, limita-se à eles.”
Deixo-me ser aquilo que você consegue enxergar em mim, embora nem sempre seja o meu melhor.
amanda-perfil

 

QUANDO A HORA É DE MUDAR…

SDB26062017

TEXTO BY CAMILA CORREIA

Vivemos uma vida inteira criando expectativas sobre o futuro, do que vamos ser, onde queremos estar, que profissão vamos seguir, quantos filhos iremos ter, quais países vamos conhecer. Por vezes, nem temos maturidade suficiente para encarar os desafios que a vida nos impõe e precisamos tomar decisões, e nem todas são tão assertivas. Quem nunca usou essa frase, cuja autoria desconheço: “Ah, se eu tivesse a maturidade que tenho hoje há vinte anos…”.

Entendemos que após quarenta anos é a idade onde nos encontramos, já devemos ter vivido metade de uma vida e nos questionamos: E agora? Uma enorme vontade de voltar no tempo e fazer diferente nos invade o coração, nos levando a inquietude emocional e experimentar o novo.

Aquele beijo não dado, a palavra não dita, aquele emprego noutro estado, aquela viagem não feita, aquele amor não vivido… O que ficou para trás vale a pena trazer ao presente? A vida não tem uma tecla “pause”, as coisas não estarão no mesmo lugar onde você deixou, aquele amor não vivido não ficou te esperando, talvez ele nem pense mais sobre o que viveram, seu modo de ver pode não ser o mesmo dele, enfim, a vida segue seu trajeto tal como um rio, que pode até ter um ponto fixo, mas nunca será a mesma água…

Não há receitas pré formuladas, não há precisão, não há regras, não há limites. Se tiver que mudar, mude, mas que mude sua visão sobre o mundo, mas não para agradar ninguém. Seja o que você quiser ser e não se transforme num “modelo” para satisfazer quem NUNCA te abraçará verdadeiramente.

Acorde, a vida está passando, não seja apenas um passageiro, seja o motorista da sua própria vida, hoje e sempre.

Pense nisso…

“O amor é a estrada onde o sonho acontece!” (Paulinho Mosca)

CAMILA CORREIA
25/06/2017

>SOBRE A AUTORA
Formada em Direito, apenas bacharel, pois advogar não está em seus planos. Uma sonhadora convicta, apaixonada pela vida e uma amiga fiel. Um diamante bruto na essência e feliz por excelência.
autora-camila-correia

NÃO TEM VOLTA

SDB19062017

TEXTO BY VALERIA RAMOS

Você está deixando passar a melhor fase da sua vida, seu melhor momento de ser feliz, suas melhores páginas, está deixando, está deixando de criar, de conhecer, tudo por ignorância, por achar que sabe tudo.

Sua vida está só começando e você nem sabe que esse amor não volta, que o passeio de hoje não volta, tudo está escorrendo pelas suas mãos, enquanto isso seu coração cai sangrando, sem você perceber!

Você não percebe o que está fazendo com a sua vida?? Ela é sua, de mais ninguém, quando o barco afundar, não adianta culpar as circunstâncias, foi você que fez assim, foi você que bateu de frente, encarou o mundo para ser o pior de você, o dia ainda não acabou, seja melhor!!

VALERIA RAMOS
19/06/2017

>SOBRE A AUTORA
Sou tantas coisas. Já fui pouco, já fui muito e já soube até encontrar o equilíbrio. Hoje sou a mãe do Eric, um menino lindo de pernas compridas. Sou apaixonada pela vida, já fiz teatro,  já fiz dança, já fiz cinema,  já cursei enfermagem. Tranquei assim que começou o estágio,  definitivamente aquilo não era pra mim,  acho lindo quem consegue,  mas não consigo olhar a dor do outro sem que ela me torture um pouco. Isso é um pouco do tudo e nada que já fui e sou!! Não sei ser meio termo, ou é quente ou é frio,  gosto assim!  Sou assim!!
autora-valeria-ramos